
A Essência
Natureza Orgânica
A minha história com a arte não nasceu em salas de aula tradicionais, mas no contraste profundo entre o confinamento e a liberdade absoluta. Minha expressão artística é o resultado visual de tudo o que permeia o imaginário humano: o tempo, o amor, a natureza e a espiritualidade. É a busca constante por traduzir a própria essência e trazer para o mundo visível aquilo que antes só habitava o invisível, através de traços e cores que carregam uma identidade única e inconfundível.


Thomas Keller
Os caminhos que me trouxeram aqui
Essa jornada começou a se desenhar em 2008. Após desembarcar de um navio onde vivi uma rotina exaustiva de trabalho e quase nenhum tempo para o meu "eu", decidi usar os recursos que guardei para realizar um sonho plantado no meu coração desde os 14 anos, quando li O Diário de um Mago, de Paulo Coelho: fui caminhar o Caminho de Santiago de Compostela. Aos 24 anos, mergulhei naquela aventura deliciosa, resgatando um sentimento de liberdade que havia esquecido pelo caminho da vida.
Logo após essa imersão, o destino me levou a Madrid. Ao caminhar pelos corredores do Museu Reina Sofia, deparei-me com uma obra monumental de Joan Miró: La danse des coquelicots. Diante daquela tela imensa, quase toda branca, cortada por apenas dois riscos pretos e três pontos vermelhos, senti um estalo. Um "click" que mudou minha percepção para sempre.
Era simples demais, pouca tinta na tela... mas era, inconfundivelmente, Miró. Ali tive a minha grande sacada sobre o que significa ter um estilo: por mais simples que pareça, antes dele, ninguém havia feito. É único e notório. Tudo o que vem depois de um estilo consolidado corre o risco de ser apenas cópia.
Tomado por aquele impacto, comprei um caderno de folhas em branco e uma caixa de lápis de cor. Fiz a mim mesmo uma provocação que ecoou no peito: "Se essa potência criativa existia dentro de Miró, por que não haveria de existir dentro de mim?". Desde então, a folha em branco deixou de ser um vazio para se tornar o meu espaço de liberdade.


